Bonga recebeu “Grande Prémio da Música do Mundo” em Paris

O cantor angolano Bonga recebeu, na noite desta quinta-feira, 30 de Novembro, em Paris, o “Grand Prix des Musiques du Monde” – [Grande Prémio da Música do Mundo] – atribuído pela SACEM [Sociedade de Autores, Compositores e Editores de Música]. A associação profissional francesa descreve-o como “figura de proa da música angolana” que “atribui todo o sentido à noção plural de africanidade” e define-o como um dos “autores-compositores africanos que sublimam as suas raízes e fascinam os ouvintes”.

Por: Carina Branco*

A Sociedade de Autores, Compositores e Editores de Música francesa (SACEM) atribuiu, esta quinta-feira à noite, os prémios anuais numa cerimónia na Maison de la Radio, em Paris. O cantor, autor e compositor angolano Bonga recebeu o “Grand Prix des Musiques du Monde”, numa noite em que o cantor e compositor britânico Harry Styles recebeu o prémio da melhor obra internacional com a canção “As It Was” e a cantora francesa Zaho de Sagazan, autora do disco “La Symphonie des Eclairs”, foi considerada “a revelação” do ano. O músico francês David Guetta foi distinguido na categoria de música electrónica, o grupo Gojira recebeu o Grande Prémio do Rock, o rapper Booba obteve o Grande Prémio das Músicas Urbanas e o Prémio Especial foi para a cantora francesa Zazie.

“Figura de proa da música angolana, Bonga atribui todo o sentido à noção plural de africanidade. De Luanda a Roterdão, de Paris a Lisboa, e em todo o lado, ele é dos autores-compositores africanos que sublimam as suas raízes e fascinam os ouvintes”, resume a SACEM na publicação onde enumera os premiados.

Bonga Kwenda, cantor angolano de grande destaque internacional. (© Alex Tome)

A associação profissional francesa recorda também o seu percurso. Nascido a 5 de Setembro de 1942, em Kipiri, José Adelino Barceló de Carvalho aprendeu música com o pai pescador e acordeonista que o introduz também ao semba, símbolo da identidade nacional angolana. Na adolescência, o cantor muda o nome para Bonga, afirmando a sua oposição à colonização portuguesa. “Desde a juventude, o artista percebe o alcance político e poético da sua música. Com a sua voz áspera e poderosa, ele abre um caminho que exprime os males do povo angolano e as aspirações de libertação da sua geração”, escreve a SACEM.

Em 1972, Bonga grava, em Roterdão, o primeiro álbum, “Angola 72”, um disco que rapidamente se torna na “banda sonora da luta pela independência angolana”, nomeadamente com o tema “Mona Ki Ngi Xica”. O seu percurso continua em Paris, onde Bonga grava o segundo disco “Angola 74”. Depois da queda da ditadura portuguesa e do reconhecimento da independência de Angola, Bonga volta a viver entre Luanda e Lisboa. Em 2000, o artista canta a reconciliação nacional e o fim do conflito angolano com a música “Mulemba Xangola”. Os discos “Kaxexe” (2003), “Maiorais” (2005) e “Bairro” (2008) continuam a escrever “a lenda de um cantor em movimento perpétuo”, lê-se ainda na descrição da SACEM.

A SACEM sublinha, ainda, que hoje em dia Bonga é retomado por vários autores e compositores, como Bernard Lavilliers que interpreta, em francês, “Mona Ki Ngi Xica”, enquanto os músicos Gaël Faye e Lexxus Legal apontam-no como modelo, e a cantora portuguesa Ana Moura o chamou para uma homenagem a Amália Rodrigues.

“Contornando as fronteiras geográficas e musicais, com um canto e composições que falam a muita gente, Bonga é a voz de uma Angola moderna e pacificada”, conclui a SACEM.

*RFI

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