O major Pedro Lussati, principal figura do mediático julgamento do “caso Lussati”, condenado a 12 anos de prisão efectiva, afirmou, numa carta dirigida à Assembleia Nacional e aos Grupos Parlamentares que o chefe do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), general Fernando Garcia Miala, se apropriou de 70 milhões de dólares em dinheiro e que quando esteve detido, supostamente sob cativeiro, o advogado David Mendes lhe pediu para dizer que os valores apreendidos na “Operação Caranguejo”, exibidos pela TPA, pertenciam a Isabel dos Santos e aos generais Kopelipa e Zé Maria.
O major denuncia que, em 2021, foi conduzido a um cárcere privado por 15 dias e que os autores dos crimes foram identificados como sendo altos funcionários dos órgãos de inteligência e segurança do Estado.
Na carta dirigida ao Parlamento, a que o Novo Jornal teve acesso, Pedro Lussati diz que numa certa altura, exibiram no telemóvel a fotografia de uma das suas irmãs e a cópia da procuração que ela outorgara a um advogado para o representar na sua defesa.
Conta o condenado que os autores da sua detenção disseram na altura que o advogado supostamente arranjado pela sua irmã não servia e que lhe foi arranjado outro.
“Dias depois, apareceu no cárcere privado o advogado David Mendes, arranjado pelos sequestradores, que, pela sua conduta, revelou ser parte da equipa de algozes”, diz Lussati, que cita o conselho que atribui ao advogado: “É melhor dizeres só que este dinheiro não é teu. Pertence ao general Kopelipa, Dino, Zé Maria, ao general Pedro Sebastião ou então à Isabel. Inventa se puderes, para te escapares desta. É só isso que deves dizer por escrito”.
No documento de 20 página a que o Novo Jornal teve acesso, o “major milionário” acusa o também ex-deputado à Assembleia Nacional de ser cúmplice das pessoas que o sequestraram.
Pedro Lussati afirma na carta que faz a esta denúncia porque que não foram tidas nem achadas estas informações desde o início do processo que o condenou em primeira instância a 14 anos de prisão.
Na carta, o condenado refere que “não é de competência dos responsáveis dos órgãos de inteligência e de segurança do Estado promover a acção penal, nem instrumentalizar o Ministério Público para instruir processos judiciais, cujo objectivo é perseguir fins políticos, económico-financeiros e apoderar-se abusivamente de bens alheios”.
Durante o seu interrogatório, em tribunal, nas instalações do Centro de Convenções de Talatona, Pedro Lussati, durante o julgamento que o Novo Jornal acompanhou ao pormenor, o agora condenado já havia citado o nome do advogado David Mendes sobre este assunto, mas na altura, como também testemunhou o Novo Jornal, o juiz não permitiu que continuasse nem que fundamentasse esta denúncia por não fazer parte do processo em que era julgado o então arguido.
Na altura, aos juízes, o major da Banda de Música da Casa de Segurança da PR disse ser dono de muitos milhões de kwanzas, euros e dólares, o que causava inveja aos demais oficiais superiores da Casa de Segurança do Presidente da República.
Segundo o major “milionário”, só em casa tinha perto de sete mil milhões de kwanzas em notas novas da série de 2021, 70 milhões de dólares e oito milhões de euros e procurou saber porque é que o processo tinha o nome Pedro Lussati e 48 arguidos, o que não lhe foi respondido.
Sobre esta denúncia, o Novo Jornal, procurou ouvir, antes da publicação desta matéria, o advogado David Mendes para os devidos pronunciamentos, mas este causídico não respondeu aos telefonemas nem às mensagens enviadas por telefone, nem pelo WhatsApp, mas o Novo Jornal continua a aguardar a versão do advogado.
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