Adalberto Costa Júnior acusa PGR de ser “bengala do poder político”

Hélder Pitta Gróz tomou esta quarta-feira posse para mais cinco anos à frente da Procuradoria-geral da República, uma escolha divulgada na terça-feira pela Presidência de Angola e criticada pela UNITA, principal partido da oposição ao fim do dia. O atual procurador-geral não cumpriu bem o primeiro mandato, pois ficou em “silêncio perante imensas violações” e foi “uma bengala do poder político que governa o país”, acusou Adalberto Costa Júnior, defendendo que o general não deveria ter sido reconduzido.

Já era noite quando, nesta terça-feira, Adalberto Costa Júnior reagiu à escolha de João Lourenço, ao falar a muitos militantes, no Lopitanga (Bié), onde estava a participar nas cerimónias fúnebres de Araújo Kacyke Pena, sobrinho de Jonas Savimbi, “um filho de uma família que tem muitos mártires dedicados a este país e ao partido”.

O líder do partido do Galo Negro começou por dizer que Pitta Groz “é uma pessoa simpática e educada,” mas “não cumpriu bem o seu mandato anterior e, quando não se cumprem bem, não se renovam mandatos a pessoas que não cumpriram a sua missão de defender a República, os angolanos, o direito, as leis, o Estado”.

Adalberto Costa Júnior passou depois a enunciar alguns do que considerou terem sido os erros do PGR: ficou em “silêncio perante a brutalidade [exercida] sobre ativistas cívicos, a discriminação de militantes dos outros partidos, a falta de pluralidade e perseguição aos líderes dos outros partidos”. E em jeito de comício, segundo o vídeo divulgado pela Kalundula TV, perguntou à audiência: “O que é que fez a PGR perante a diabolização dos adversários?” A resposta foi a esperada: “Nada”, gritaram os militantes.

O dirigente da UNITA, que em fevereiro atribuíra à Presidência de Angola, em declarações ao Observador, a responsabilidade da situação que levara à indefinição na cúpula da PGR (Hélder Pitta Groz renunciou ao cargo em dezembro e durante quatro meses João Lourenço não esclareceu se aceitava a sua demissão ou se o reconduzia), disse mesmo que o general está a ser reconduzido porque “cumpriu o programa de quem governa e de quem quer manter o programa partidário acima do interesse nacional”.

E, depois de exigir uma “justiça independente”, sublinhou: “Não queremos uma justiça partidária que não cumpre o seu papel, que não protege o cidadão, que se comporta de maneira cobarde, que recebe ordens políticas. Esta justiça não serve Angola”.

Terminando como começara, lembrou que o PGR “é uma pessoa educada, boa pessoa” mas que “não serve a missão com a coragem que deve exercer”, antes de lhe lançar um repto: “Que melhore o seu trabalho, sirva Angola e os angolanos, cumpra as leis e não fique no silêncio cobarde das ordens políticas”.

João Lourenço, na tomada de posse, tinha um outro recado: encorajou a Procuradoria a fazer o seu melhor “numa missão assumidamente desafiante”.

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